O porto que sonho sombrio e plidoE esta paisagem cheia de sol deste lado…Mas no meu esprito o sol deste dia porto sombrioE os navios que saem do porto so estas rvores ao sol…
Liberto em duplo abandonei-me da paisagem abaixo…O vulto do cais a estrada ntida e calmaQue se levanta e se ergue como um muro,E os navios passam por dentro dos troncos das rvoresCom uma horizontalidade vertical,E deixam cair amarras na gua pelas folhas uma a uma dentro…
No sei quem me sonho…Sbito toda a gua do mar do porto transparenteE vejo no fundo como uma estampa enorme que l estivesse desdobrada,Esta paisagem toda renque de rvores estradas a arder em aquele porto,E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passaEntre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagemE chega ao p de mim e entra por mim dentro,E passa para o outro lado da minha alma…
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,E cada vela que se acende mais chuva a bater na vidraa…Alegra-me ouvir a chuva porque ela o templo estar aceso,E as vidraas da igreja vistas de fora so o som da chuvaouvido por dentro…
O esplendor do altar-mor o eu no poder quase ver os montesAtravs da chuva que ouro to solene na toalha do altar…Soa o canto do coro latino e vento a sacudir-me a vidraaE sente-se chiar a gua no fato de haver coro…
A Grande Esfinge do Egito sonha pr este papel dentro…Escrevo e ela aparece-me atravs da minha mo transparenteE ao canto do papel erguem-se as pirmides…
Escrevo perturbo-me de ver o bico da minha penaSer o perfil do rei Quops…De repente paro…Escureceu tudo… Caio por um abismo feito de tempo…Estou soterrado sob as pirmides a escrever versos luz clara deste candeeiroE todo o Egito me esmaga de alto atravs dos traosque fao com a pena…Ouo a Esfinge rir por dentroO som da minha pena a correr no papel…Atravessa o eu no poder v-la uma mo enorme…Varre tudo para o canto do teto que fica por detrs de mim,E sobre o papel onde escrevo entre ele e a pena que escreveJaz o cadver do rei Quops olhando-me com olhos muito abertos,E entre os nossos olhares que se cruzam corre o NiloE uma alegria de barcos embandeirados erraNuma diagonal difusaEntre mim e o que penso…
…rvores pedras montes bailam parados dentro de mim…Noite absoluta na feira iluminada luar no dia de sol l fora,E as luzes todas da feira fazem rudos dos muros do quintal…Ranchos de raparigas de bilha cabeaQue passam l fora cheias de estar sob o sol,Cruzam-se com grandes grupos peganhentos de gente que anda na feira,Gente toda misturada com as luzes das barracas com a noite e com o luar,E os dois grupos encontram-se e penetram-seAt formarem s um que os dois…A feira e as luzes da feira e a gente que anda na feira,E a noite que pega na feira e a levanta no ar,Andam por cima das copas das rvores cheia de sol,Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,Aparecem do outro lado das bilhasque as raparigas levam cabea,E toda esta paisagem de primavera a lua sobre a feira,E toda a feira com rudos e luzes o cho deste dia de sol…
De repente algum sacode esta hora dupla como uma peneiraE misturado o p das duas realidades caiSobre as minhas mos cheias de desenhos de portos…Com grandes naus que se vo e no pensam em voltar…P de oiro branco e negro sobre os meus dedos…As minhas mos so os passos daquela raparigaque abandona a feira,Sozinha e contente como o dia de hoje…
Prossegue a msica e eis na minha infnciaDe repente entre mim e o maestro muro branco,Vai e vem a bola ora um co verde,Ora um cavalo azul com um jcckey amarelo…
Todo o teatro o meu quintal a minha infnciaEst em todos os lugares e a bola vem a tocar msica,Uma msica triste e vaga que passeia no meu quintalVestida de co tornando-se jockey amarelo…(To rpida gira a bola entre mim e os msicos…)
Atiro-a de encontro minha infncia e elaAtravessa o teatro todo que est aos meus psA brincar com um jockey amarelo e um co verdeE um cavalo azul que aparece por cima do muroDo meu quintal… E a msica atira com bolas minha infncia… E muro do quintal feito de gestosDe batuta e rotaes confusas de ces verdesE cavalos azuis e jockeys amarelos…
E dum lado para outro da direita para esquerda,Donde h rvores e entre os ramos ao p da copaCom orquestras a tocar msicaPara onde h filas de bolas na loja onde a compreiE o homem da loja sorri entre as memrias da minha infncia…
E a msica cessa como um muro que desaba,A bola rola pelo despenhadeiro dos meus sonhos interrompidos,E do alto dum cavalo azul o maestro jockey amarelotornando-se preto,Agradece pousando batuta em cima da fuga dum muro,E curva-se sorrindo com uma bola branca em cima da cabea,Bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo…
Uma das perguntas mais freqentes da 53 Feira do Livro de Porto Alegre foi respondida na tarde desta quarta-feira. sni ou sni? perguntavam jornalistas e leitores em geral. A presena e o nome da norueguesa mais famosa do momento. sne Seierstad movimentaram a Praa da Alfndega durante o dia todo. Entrevistada pelos jornalistas Diego Casagrande da Band News. Marcos Santurio do Correio do Povo e Waldir da Silveira presidente da Cmara Rio-Grandense do Livro. sne agradeceu o convite da Copesul patrocinadora da Feira e realizadora do seminrio Fronteiras do Pensamento do qual ela participou na tera-feira. 30.
Sobre seu mais comentado livro. O Livreiro de Cabul a autora revelou que a idia nasceu ao deparar-se com uma livraria em Cabul cujo dono lhe apresentou a famlia e convidou-a para jantar. Enquanto estvamos comendo percebi que aquilo seria um livro e quando fui falar com o livreiro a reposta foi: welcome! contou.
sne lembrou tambm que em funo de s disporem de energia eltrica durante duas horas por dia escrevia muito durante o perodo em que podia ligar o computador e no resto do tempo anotava o que as pessoas da famlia lhe diziam.
Inconformada com a submisso das mulheres afegs. sne revelou que pelo que sabe a situao mesmo com a queda do regime Talib continua a mesma. …porque a opresso vem da prpria famlia. Elas podem estudar mas s saem do cho da casa dos pais quando so vendidas em casamento e ento passam para o cho da casa do marido.
O impacto de O Livreiro de Cabul no Afeganisto tambm foi questionado. A autora afirmou que no tem controle sobre as verses piratas do livro publicadas no pas mas recebe cartas e telefonemas de mulheres afegs que se identificam com seu relato.
Reprter de guerra desde os 24 anos de idade a escritora revelou que no gosta de se expor a situaes perigosas mas que a condio das pessoas em meio s guerras a comovem e a motivam a escrever. o caso das crianas da Chechnia fontes inspiradoras do prximo livro de sne que deve sair em 2008.
Quando o mestre de cerimnias chamou as crianas para formarem uma fila em frente ao microfone a agitao foi grande. Logo cerca de 20 estudantes j se amontoavam e um a um lanava sua pergunta ao autor Carlos Urbim. Era O Autor no Palco atividade que tem como objetivo estimular a formao de jovens leitores.
Nesta programao da rea Infantil e Juvenil da Feira os escritores participam de uma conversa informal sobre suas obras com as crianas que comparecem ao evento com leitura prvia. Com Carlos Urbim os questionamentos foram com freqncia sobre sentimentos do escritor. As respostas eram ricas de detalhes e contavam histrias que envolviam seus filhos. Urbim comparou a emoo de lanar um livro a de ver um filho nascer: um livro como um filho.
Na tarde desta quarta-feira o escritor carioca Lus Antnio Aguiar conversou com um pblico jovem (e repleto de vestibulandos) sobre o escritor Machado de Assis. A vida e obra do autor de Dom Casmurro j conhecidas pela platia da sala O Arquiplago foi assunto das Leituras Compartilhadas cujo ttulo Sua Vida. Seu Tempo. Suas Bruxarias foi apropriado para este 31 de outubro.
Durante sua apresentao. Aguiar destacou que um dos legados deixados por Machado aos leitores a sutileza do idioma a qual favorece a compreenso de brasileiros. Ao ser traduzida uma obra de Machado no seria perfeitamente compreendida pois tamanha a brasilidade das expresses.
Falou ainda sobre detalhes da vida do autor aps os 17 anos como o local onde ganhou reconhecimento (Imprensa Nacional do Rio de Janeiro) seu primeiro padrinho literrio (Manuel Antnio de Almeida) e a surpreendente carga cultural que o escritor possua nesta idade mesmo sem ter tido educao formal (Machado falava ingls francs e corrigia textos). Antes disso a histria de Machado no possuiu registros.
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